sábado, 11 de outubro de 2008
"O mundo de cada um está nos olhos que tem". Saramago
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Shopping de rua, mais conhecido como feirinha, na Vila Cruzeiro. Barracas dispostas numa rua relativamente larga. Por trás das barracas, gente que batalha uma vida inteira como camelôs e no final são chamados de vagabunos, fugindo do "rapa". Vende-se todo tipo de roupa, inclusive saias jeans.
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Nos dois mundos, as saias são, podemos assim dizer, idênticas. A diferença está nos nossos olhos hipócritas. As duas saias mais se parecem com um cinto, porém...a menina marginalizada na favela não vai usar uma saia que custa quase duzentos reais para "medir a esquina" ou ir ao baile. Não vai usar por que não tem condições para tal. A mesada que a patricinha recebe do seu pai, que provavelmente é um cidadão de bem, comprará a saia de duzentos reais para ir ao baile do morro se drogar. A menina na favela tem francas possibilidades de engravidar, o que não é indiferente à patricinha: a primeira, irá num açougueiro de fundo de quintal e correr risco de vida; a segunda irá numa clínica e pagará alguns "mils" reais, desprezíveis para a conta de seu pai, e ficará em segurança.
A diferença entre as saias? Nenhuma. Ou melhor, a diferença encontra-se não em quem está vestindo, mas em quem está assistindo a nossa decadência moral e faz questão de perpetuá-la.
Apertodemãotudojunto (com H)!
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Direito? Tudo bem! Mas como ter acesso?
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Mês passado, voltando da mesma aula de teatro. Local: Praça Saens Peña. Ponto final do 639.
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Por que estou falando isso? As situações acima têm algo em comum: quando eu entrei no 638 e no 639, nas duas situações meu cartão Riocard Escolar foi BLOQUEADO. Esse fato não se restringe a mim, mas abrange a todos os estudantes da rede pública. Talvez, nem todos eles durmam e passem do ponto, ou peguem o 639 na Pça Saens Peña, mas com certeza, todos eles dependem de um número máximo de passagens diárias e da boa vontade dos motoristas, que dificilmente param para um estudante da Rede Pública, principalmente municipal.
Fico me perguntando: desde sempre ouço um discurso que diz que todos temos direito a saúde, educação, cultura etc. Da saúde, não preciso dizer nada sobre esse estado de calamidade que se encontra. A educação é a rainha da sucata. E a cultura?
Para começar, o termo que usamos comumente para definir cultura é muito restrito. Funk é cultura. Não somos obrigados a gostar, mas temos o dever de assumí-lo como parte da cultura sim, e entender que o surgimento deste ritmo é fruto de um processo histórico.
A cultura está lá. Está presente em todo canto. O CCBB está lá, sempre com exposições maravilhosas. O curso de teatro no CEAE é gratuito. Sem dúvidas, há muitas expressões culturais "0800" espalhadas por todos os cantos, isso é fato. Mas como chegar até lá com uma restrição de cinco passagens diárias?
Gostaria de expressar a minha indignação dizendo pro Sr. Governador Sérgio Cabral que eu não vou a pé pra escola, pro teatro muito menos, pro CCBB então, nem se fala. Mas nem por isso deixo de ir a nenhum desses lugares. Eu sou resistente, apesar de tudo. Gostaria de dizer que eu NÃO ANDO DE CAVEIRÃO NEM SOU PROTEGIDA POR ELE. O veículo é usado para atender a uma "elite mal-informada que acha que jogando uma bomba em cada favela acaba com a violência". A sua política de segurança, Sr. Governador, não combate a violência, apenas tenta isolá-la nas favelas para que ela não desça para o asfalto. Por acaso, pois quase não assisto a essa mídia manipuladora, vi no noticiário hoje que o Sr. comprou NOVE CAVEIRÕES para operações em favelas, tendo um gasto de R$3,6 milhões de reais. Pois eu lhe digo que a merenda de um aluno de escola pública custa centavos para você, ou melhor para o dinheiro dos nossos impostos. Isso significa que dinheiro para a educação não tem, mas para comprar caveirões, construir cadeias e se orgulhar disso, tem dinheiro jorrando em toneladas. Digo mais: se o investimento fosse de forma séria na educação, não precisariamos de caveirões, tampouco de prisões.
Onde já se viu? Cinco passagens: exemplificando: vou à escola (1ª pasagem); volto da escola (2ª); para ir ao teatro, dois ônibus (aí, já foram quatro); para voltar do teatro...bem, eu usaria duas passagens, mas como eu só tenho 1 sobrando (ou melhor, faltando) eu vou a pé até um dos pontos para não gastar a única e não esperar o dia virar para o meu cartão revalidar e voltar para casa.
Quero passe-livre livre de fato! Quero passe-livre de aviãããooo, quem sabe assim eu possa um dia ir andar de bicicleta em volta da prefeitura de Paris, tal como fez nosso Ilustríssimo Governador.
"O dinheiro do meu pai não é capim, eu quero passe livre sim" (Música cantada na passeata pela reconstrução da Sede da Une e da Ubes)
*Aproveitando que amanhã estarei com o Ministro da cultura. Quem sabe ele nos dê uma solução...
Apertodemãotudojunto (com H)!
terça-feira, 7 de outubro de 2008
O que é votar com consciência?
É com muita tristeza que assisto as propagandas do TRE nessa época de eleição e ouço várias pessoas dizerem que são propagandas muito inteligentes. Com todo respeito ao TRE e as pessoas que consideram as propagandas inteligentes, eu acho que elas não acrescentam em nada nas nossas vidas e muito pelo contrário, só vêm para nos atrapalhar, fazendo com que o povo brasileiro que, continua sem educação e saúde, acredite que a única maneira de mudar esse país é através do voto. Pois eu digo que a única maneira de mudar esse país é através de educação e uma forte organização popular.
A propaganda nos diz para votar com consciência, pois se não, vamos nos arrepender durante quatro anos. Nós não precisamos esperar quatro anos para tirar do poder alguém que não estamos satisfeitos. Faz-se necessário deixar claro o que é votar com consciência. O que é votar no candidato certo? Devemos lembrar as pessoas que assistem as propagandas que, os candidatos representam interesses de diferentes partes da população. Por exemplo: eu acho que o governo Fernando Henrique Cardoso foi muito ruim, principalmente, por causa dos escândalos das privatizações. Por outro lado, para muitas pessoas, ele foi um bom presidente. Mas como pode? Eu me lembro que quando o FHC ganhou pela primeira vez, eu votei com consciência, no Lula. O Lula não ganhou e eu paguei (e ainda pago até hoje) muito caro pelos dois mandatos de FHC.
Há quanto tempo existem eleições no Brasil? Será que até hoje o brasileiro não aprendeu a votar? Tenho 29 anos e vejo que, a cada dia, o Brasil está piorando. Mais gente desempregada, mais gente passando fome, mais violência, mais miseráveis, muita corrupção e etc. Repito, a questão não é que o brasileiro não sabe votar. A questão é que o que realmente vai mudar esse país não é eleição. O que muda um país é: Educação e organização popular.
sábado, 4 de outubro de 2008
huMoR PreCOncEiTUosO
Por que as pessoas acham graça numa piada preconceituosa? Onde está a graça?
Preconceituoso: este é o tipo de humor utilizado pelo programa Zorra Total e tantos outros programas que se dizem "humorísticos".
Onde está a graça quando uma mulher não sabe falar corretamente? A Lady Kate, do programa Zorra Total, é uma das figuras mais ridículas da televisão. A personagem reforça uma imagem totalmente preconceituosa do pobre. Pobre não sabe falar, pobre "tira a calcinha do rego", pobre grita, e tantas outras coisas são as idéias passadas pela personagem. Não consigo parar um minuto para ver o programa.
"Tô pagano!": esse é o bordão da personagem. O que importa é o dinheiro. Dinheiro compra caráter, modos e até um "personal stylist", como sempre colocado num estereótipo gay.
Todos os pobres falam berrando? Todos os pobres "tiram a calcinha do rego"?
E se todos os pobres, ou sua maioria, falam 'errado' não há algo de errado na educação (ou não-educação) que eles recebem?
O humor construído não é nada crítico ou construtivo. Além do preconceito, tem sempre um forte apelo para a sexualidade. Sempre com mulheres "gostosonas", loiras, com roupas justas, ou de biquini, ou apenas uma folhinha, como no quadro de Adão e Eva. As piadas são sempre maldosas, de duplo sentido. Quando em algum quadro o destaque não é uma mulher esbelta e sim uma mulher gorda (Doutora Lorca) ou feia (a Juju do Jajá), ela é sempre alvo de comédia por sua obesidade ou por sua feiura, reforçando nas cabeças das pessoas que gordos ou feios devem ser sempre alvo de piadas. Essa idéia faz gerar pensamentos do tipo "Ele é feio mas é legal", "Ela é gorda mas é bonitinha".
O embranquecimento também é visível. Quando algum negro é destaque em um quadro, pode ter certeza de que ele nunca vai ser o inteligente, o cobiçado, o bom homem. Sem dúvidas, será o trambiqueiro, como o personagem Angolano. Em cima disso, o continente africano fica mais estigmatizado, como se os negros de lá vindos não tivessem dado nenhuma contribuição positiva para o Brasil, e sim aparecem como responsáveis pela origem do "jeitinho brasileiro" que tanto me incomoda.
A única maneira de transformar nosso pensamento, torná-lo mais crítico é através da educação. Tenho certeza de que chegará o dia em que ninguém mais rirá de PREcoNCeItO HuMoRíSTiCo, por que vão enxergar que o alvo do riso são eles mesmos e irão contrabalanceá-lo com um pensamento aguçado, crítico, atento ao que estão vendo!
Abaixo o PREcoNCeItO HuMoRíSTiCo!
Apertodemãotudojunto (com H)!
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Vida? Que nada!
No mesmo insatante, me vieram algumas reflexões: em nenhum momento se fala sobre a vida. Vida? Que nada! Posso até morrer, mas não pago uma multa. Morro com dinheiro. Quem sabe, dá pra usar dinheiro no céu!
Nas propagandas de televisão, jornais, revistas, outdoors, os perfis de bebedores da Boa, da Redonda, da "No ponto" e tantas outras, não é o mesmo perfil que eu vejo pelos bares do subúrbio. Não são como meu pai, meus tios, os pais dos meus amigos. Nenhum desses bebedores da TV tem problemas, nenhum deles batem de carro, em nenhum deles falta dente, nenhum deles tem úlcera ou qualquer outro problema (causados pela cerveja ou não). Estão sempre sorridentes, como em comercial de pasta de dente, sempre são loiros e sempre semi-nus.
Nenhum deles carregam no rosto as marcas da velhice, as marcas de quem trabalhou e trabalha a vida inteira e que quando chega o fim de semana, a única coisa que eles querem é "tomar uma geladinha para esquecer dos problemas, tirar o cansaço...". Mas não, os jovens loiros da TV não têm problemas. Estão sempre na praia, cenário muito diferente do churrasco lá no alto do morro, com crianças correndo e, de vez em quando, a "bala comendo" . Será que eu só vou ter "histórias pra contar pros meus netos" se eu encher a cara de cerveja, como diz a redonda? Será que não existe censura pra um comercial de mulher semi-nua com uma tatuagem "tô dentro" num "lugar estratégico"? Menor de 18 anos não pode comprar bebida, mas pode ser incitado a consumir? Beber ou fumar é sinal de maturidade é sinal de "madureza"?
Sem falar nos artistas que vendem suas imagens para que a indústria "alcoólatra" (e não alcoólica). Deles, talvez o único que beba como os bebedores do subúrbio seja o brahmeiro Zeca Pagodinho, que apesar de ter se mudado para a Barra da Tijuca, não mudou seu jeito suburbano de beber e de fumar. As mulheres do subúrbio não são como a Juliana Paes, mas o pior de tudo é que elas gostariam de ser.
Será que algum dia vamos passar a valorizar a vida?
Será que a única compensação de uma lei seja a economia do dinheiro?
Será que vão continuar combinando bebida + direção, sendo a favor da pena de morte e contra a legalização do aborto?
Será que algum dia a vida vai estar na frente do dinheiro?
Enquanto esse dia não chega, eu, no auge dos meus 17 anos, vou fazendo o que posso, e se por acaso eu não vir mudança nenhuma até os meus 87, não vou me arrepender de ter lutado!
Apertodemãotudojunto (com H)!
Boas vindas!
O nome do blog procura deixar claro que aqui, não queremos brigas. Pacificamente, procurararemos discutir situações que nos incomodam, fazer críticas, fazer elogios e principalmente discutir soluções.
O aperto de mão é um gesto social que surgiu para mostrar que a pessoa que está cumprimentando está desarmada, que é pacífica. Hoje, o gesto pode ser expressão de amizade, confiança, acordo, ou apenas uma saudação de chegada ou partida.
Aqui, o aperto de mão é tudojunto. Reune todos os significados positivos que tem um aperto de mão. Estamos "tudojunto" aqui pra fazer desse espaço um lugar legal pra discussões. Fico por aqui!
Apertodemãotudojunto em vocês, companheiros.