sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Vida? Que nada!

Nesta quarta-feira última, 01/08, escutei um comercial no rádio sobre bebida e direção. Uma criança conversava com outra dizendo que seu pai não dirigia mais quando bebia. A menina citava os motivos pelos quais seu pai não combinava bebida e direção, como "não vai mais ouvir a mamãe reclamar", "não vai pagar multa". A voz da criança saía em fade out enquanto ela falava.
No mesmo insatante, me vieram algumas reflexões: em nenhum momento se fala sobre a vida. Vida? Que nada! Posso até morrer, mas não pago uma multa. Morro com dinheiro. Quem sabe, dá pra usar dinheiro no céu!

Nas propagandas de televisão, jornais, revistas, outdoors, os perfis de bebedores da Boa, da Redonda, da "No ponto" e tantas outras, não é o mesmo perfil que eu vejo pelos bares do subúrbio. Não são como meu pai, meus tios, os pais dos meus amigos. Nenhum desses bebedores da TV tem problemas, nenhum deles batem de carro, em nenhum deles falta dente, nenhum deles tem úlcera ou qualquer outro problema (causados pela cerveja ou não). Estão sempre sorridentes, como em comercial de pasta de dente, sempre são loiros e sempre semi-nus.
Nenhum deles carregam no rosto as marcas da velhice, as marcas de quem trabalhou e trabalha a vida inteira e que quando chega o fim de semana, a única coisa que eles querem é "tomar uma geladinha para esquecer dos problemas, tirar o cansaço...". Mas não, os jovens loiros da TV não têm problemas. Estão sempre na praia, cenário muito diferente do churrasco lá no alto do morro, com crianças correndo e, de vez em quando, a "bala comendo" . Será que eu só vou ter "histórias pra contar pros meus netos" se eu encher a cara de cerveja, como diz a redonda? Será que não existe censura pra um comercial de mulher semi-nua com uma tatuagem "tô dentro" num "lugar estratégico"? Menor de 18 anos não pode comprar bebida, mas pode ser incitado a consumir? Beber ou fumar é sinal de maturidade é sinal de "madureza"?

Sem falar nos artistas que vendem suas imagens para que a indústria "alcoólatra" (e não alcoólica). Deles, talvez o único que beba como os bebedores do subúrbio seja o brahmeiro Zeca Pagodinho, que apesar de ter se mudado para a Barra da Tijuca, não mudou seu jeito suburbano de beber e de fumar. As mulheres do subúrbio não são como a Juliana Paes, mas o pior de tudo é que elas gostariam de ser.

Será que algum dia vamos passar a valorizar a vida?
Será que a única compensação de uma lei seja a economia do dinheiro?
Será que vão continuar combinando bebida + direção, sendo a favor da pena de morte e contra a legalização do aborto?
Será que algum dia a vida vai estar na frente do dinheiro?

Enquanto esse dia não chega, eu, no auge dos meus 17 anos, vou fazendo o que posso, e se por acaso eu não vir mudança nenhuma até os meus 87, não vou me arrepender de ter lutado!

Apertodemãotudojunto (com H)!

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