Ontem, quarta-feira, eu estava voltando de mais uma aula de teatro no Centro de Estudo Artístico Experimental, coordenado por Ana Kfouri, no SESC Tijuca. Eram onze da noite quando eu abri os olhos no ônibus 639 e vi que tinha ido muito além do ponto que eu deveria saltar. Desci rapidamente e atravessei a Av. Dom Helder Câmara na altura de Cascadura, para pegar um outro ônibus no sentido contrário. Fiquei por uns minutos no ponto de ônibus até que fiz sinal para o 638, que felizmente parou.
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Mês passado, voltando da mesma aula de teatro. Local: Praça Saens Peña. Ponto final do 639.
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Por que estou falando isso? As situações acima têm algo em comum: quando eu entrei no 638 e no 639, nas duas situações meu cartão Riocard Escolar foi BLOQUEADO. Esse fato não se restringe a mim, mas abrange a todos os estudantes da rede pública. Talvez, nem todos eles durmam e passem do ponto, ou peguem o 639 na Pça Saens Peña, mas com certeza, todos eles dependem de um número máximo de passagens diárias e da boa vontade dos motoristas, que dificilmente param para um estudante da Rede Pública, principalmente municipal.
Fico me perguntando: desde sempre ouço um discurso que diz que todos temos direito a saúde, educação, cultura etc. Da saúde, não preciso dizer nada sobre esse estado de calamidade que se encontra. A educação é a rainha da sucata. E a cultura?
Para começar, o termo que usamos comumente para definir cultura é muito restrito. Funk é cultura. Não somos obrigados a gostar, mas temos o dever de assumí-lo como parte da cultura sim, e entender que o surgimento deste ritmo é fruto de um processo histórico.
A cultura está lá. Está presente em todo canto. O CCBB está lá, sempre com exposições maravilhosas. O curso de teatro no CEAE é gratuito. Sem dúvidas, há muitas expressões culturais "0800" espalhadas por todos os cantos, isso é fato. Mas como chegar até lá com uma restrição de cinco passagens diárias?
Gostaria de expressar a minha indignação dizendo pro Sr. Governador Sérgio Cabral que eu não vou a pé pra escola, pro teatro muito menos, pro CCBB então, nem se fala. Mas nem por isso deixo de ir a nenhum desses lugares. Eu sou resistente, apesar de tudo. Gostaria de dizer que eu NÃO ANDO DE CAVEIRÃO NEM SOU PROTEGIDA POR ELE. O veículo é usado para atender a uma "elite mal-informada que acha que jogando uma bomba em cada favela acaba com a violência". A sua política de segurança, Sr. Governador, não combate a violência, apenas tenta isolá-la nas favelas para que ela não desça para o asfalto. Por acaso, pois quase não assisto a essa mídia manipuladora, vi no noticiário hoje que o Sr. comprou NOVE CAVEIRÕES para operações em favelas, tendo um gasto de R$3,6 milhões de reais. Pois eu lhe digo que a merenda de um aluno de escola pública custa centavos para você, ou melhor para o dinheiro dos nossos impostos. Isso significa que dinheiro para a educação não tem, mas para comprar caveirões, construir cadeias e se orgulhar disso, tem dinheiro jorrando em toneladas. Digo mais: se o investimento fosse de forma séria na educação, não precisariamos de caveirões, tampouco de prisões.
Onde já se viu? Cinco passagens: exemplificando: vou à escola (1ª pasagem); volto da escola (2ª); para ir ao teatro, dois ônibus (aí, já foram quatro); para voltar do teatro...bem, eu usaria duas passagens, mas como eu só tenho 1 sobrando (ou melhor, faltando) eu vou a pé até um dos pontos para não gastar a única e não esperar o dia virar para o meu cartão revalidar e voltar para casa.
Quero passe-livre livre de fato! Quero passe-livre de aviãããooo, quem sabe assim eu possa um dia ir andar de bicicleta em volta da prefeitura de Paris, tal como fez nosso Ilustríssimo Governador.
"O dinheiro do meu pai não é capim, eu quero passe livre sim" (Música cantada na passeata pela reconstrução da Sede da Une e da Ubes)
*Aproveitando que amanhã estarei com o Ministro da cultura. Quem sabe ele nos dê uma solução...
Apertodemãotudojunto (com H)!
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
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Um comentário:
quero passe livre no seu coração!
que espaço legal maricota!
vou ler tudinho,
um beijo de permanência e afeto,
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