sábado, 4 de outubro de 2008

huMoR PreCOncEiTUosO

Juju e Jajá: a 'feiura' é motivo de riso


Lady Kate: "Dinheiro eu tenho, só me falta-me gramur"




Por que as pessoas acham graça numa piada preconceituosa? Onde está a graça?
Preconceituoso: este é o tipo de humor utilizado pelo programa Zorra Total e tantos outros programas que se dizem "humorísticos".
Onde está a graça quando uma mulher não sabe falar corretamente? A Lady Kate, do programa Zorra Total, é uma das figuras mais ridículas da televisão. A personagem reforça uma imagem totalmente preconceituosa do pobre. Pobre não sabe falar, pobre "tira a calcinha do rego", pobre grita, e tantas outras coisas são as idéias passadas pela personagem. Não consigo parar um minuto para ver o programa.
"Tô pagano!": esse é o bordão da personagem. O que importa é o dinheiro. Dinheiro compra caráter, modos e até um "personal stylist", como sempre colocado num estereótipo gay.
Todos os pobres falam berrando? Todos os pobres "tiram a calcinha do rego"?
E se todos os pobres, ou sua maioria, falam 'errado' não há algo de errado na educação (ou não-educação) que eles recebem?

O humor construído não é nada crítico ou construtivo. Além do preconceito, tem sempre um forte apelo para a sexualidade. Sempre com mulheres "gostosonas", loiras, com roupas justas, ou de biquini, ou apenas uma folhinha, como no quadro de Adão e Eva. As piadas são sempre maldosas, de duplo sentido. Quando em algum quadro o destaque não é uma mulher esbelta e sim uma mulher gorda (Doutora Lorca) ou feia (a Juju do Jajá), ela é sempre alvo de comédia por sua obesidade ou por sua feiura, reforçando nas cabeças das pessoas que gordos ou feios devem ser sempre alvo de piadas. Essa idéia faz gerar pensamentos do tipo "Ele é feio mas é legal", "Ela é gorda mas é bonitinha".
O embranquecimento também é visível. Quando algum negro é destaque em um quadro, pode ter certeza de que ele nunca vai ser o inteligente, o cobiçado, o bom homem. Sem dúvidas, será o trambiqueiro, como o personagem Angolano. Em cima disso, o continente africano fica mais estigmatizado, como se os negros de lá vindos não tivessem dado nenhuma contribuição positiva para o Brasil, e sim aparecem como responsáveis pela origem do "jeitinho brasileiro" que tanto me incomoda.
A única maneira de transformar nosso pensamento, torná-lo mais crítico é através da educação. Tenho certeza de que chegará o dia em que ninguém mais rirá de PREcoNCeItO HuMoRíSTiCo, por que vão enxergar que o alvo do riso são eles mesmos e irão contrabalanceá-lo com um pensamento aguçado, crítico, atento ao que estão vendo!

Abaixo o PREcoNCeItO HuMoRíSTiCo!

Apertodemãotudojunto (com H)!

3 comentários:

ManinhaChica disse...

É uma pena que as pessoas achem isso tudo engraçado demais, a diversão da semana...
Eu sempre acho que você é muito boa em tudo que faz, eu aprendo absurdos com você, mas você é o que deveria ser o IDEAL. Não é nada fora do normal pro mundo, mas pro nosso país, porque você enxerga além..
Gosto muito do que você faz, Mana.

Beijo de amor e admiração

Mayra Kinte disse...

Mana, obrigada.
Eu, você e todos nós temos muito que aprender ainda. Somos seres em contínua aprendizagem.
Obrigada pela presença aqui.
Beijos!

Wellington Serra disse...

Caramba!!!!
Muito bom o texto.Você parece até o seu primo Wellington escrevendo. Continue assim e um dia ( Quem sabe?) será igual ao seu primo-pai-irmão-amigo.
Te amo