sábado, 11 de outubro de 2008

"O mundo de cada um está nos olhos que tem". Saramago

Norte Shopping, Zona Norte do Rio. Em uma de suas áreas de ostentação de luxo e manutenção da miséria, o Pátio Norte Shopping, muitas lojas. Numa dessas, uma saia jeans custando quase duzentos reais.

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Shopping de rua, mais conhecido como feirinha, na Vila Cruzeiro. Barracas dispostas numa rua relativamente larga. Por trás das barracas, gente que batalha uma vida inteira como camelôs e no final são chamados de vagabunos, fugindo do "rapa". Vende-se todo tipo de roupa, inclusive saias jeans.

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Nos dois mundos, as saias são, podemos assim dizer, idênticas. A diferença está nos nossos olhos hipócritas. As duas saias mais se parecem com um cinto, porém...a menina marginalizada na favela não vai usar uma saia que custa quase duzentos reais para "medir a esquina" ou ir ao baile. Não vai usar por que não tem condições para tal. A mesada que a patricinha recebe do seu pai, que provavelmente é um cidadão de bem, comprará a saia de duzentos reais para ir ao baile do morro se drogar. A menina na favela tem francas possibilidades de engravidar, o que não é indiferente à patricinha: a primeira, irá num açougueiro de fundo de quintal e correr risco de vida; a segunda irá numa clínica e pagará alguns "mils" reais, desprezíveis para a conta de seu pai, e ficará em segurança.

A diferença entre as saias? Nenhuma. Ou melhor, a diferença encontra-se não em quem está vestindo, mas em quem está assistindo a nossa decadência moral e faz questão de perpetuá-la.

Apertodemãotudojunto (com H)!

Um comentário:

ManinhaChica disse...

Acho que a gente se preocupa porque esteve ou está face a face com os dois lados.

Não sei outra maneira de explicar porque algumas pessoas se importam em mudar o mundo e outras morrem sem perceber o mundo ou sem se importar com ele.